Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

A situação política no Nepal depois da vitória do Partido Comunista do Nepal (Maoísta)

          No passado dia 28 de Maio, a Assembleia Constituinte do Nepal, saída das eleições gerais realizadas em Abril, nas quais o Partido Comunista do Nepal (Maoísta) obteve a maioria simples dos votos (37%), decidiu por esmagadora maioria decretar o fim da monarquia e instaurar um regime político republicano, tendo dado um prazo de 15 dias para o ex-monarca abandonar o palácio real. A situação no país é actualmente muito tensa, já que "a aliança de sete partidos" (ASP), na qual predominam o Congresso Nacional (16% nas eleições) e o Partido Comunista do Nepal - UML (17% dos votos), procura neste momento dificultar a formação de um governo de coligação dirigido pelo PCN(M) e com uma base parlamentar maioritária, o que faz através da apresentação de condições inaceitáveis por parte deste último. Em causa está também a atribuição do cargo de Presidente da República, com aqueles dois partidos a reivindicarem o lugar para si, o que é liminarmente rejeitado pelo PCN(M), que exige que o cargo lhe seja atribuído.

          A estratégia definida pelo PCN(M) de se integrar no processo político democrático e eleitoral, na sequência da sua luta armada de dez anos, em que assumiu o controlo político de vastas regiões do país, e dos grandes movimentos de massas de Abril de 2006, os quais ditaram o afastamento do rei dos orgãos do governo e a constituição de uma assembleia e de um governo interino, com a participação do PCN(M) e com a missão de preparar as eleições constituintes, agora realizadas, a estratégia do PCN(M), dizíamos, materializou-se até agora num importante êxito político , difícil de digerir pelas forças do imperialismo internacional, que sempre apoiaram política e militarmente a monarquia nepalesa e que ainda hoje qualificam o PCN(M) como "organização terrorista". Pesem embora as reservas expressas em artigo anterior do "Luta Popular" sobre alguns pontos dos acordos estabelecidos entre o PCN(M) e a "aliança dos sete partidos" (ver LP de Maio de 2007), a verdade é que os acontecimentos actuais no Nepal se revestem de uma importância histórica notável. A situação é complexa, pois os partidos que integram a ASP podem bloquear no parlamento a constituição do novo governo dirigido pelo PCN(M) e a atribuição a este do cargo de Presidente da República. Os próximos dias ou semanas serão decisivos sobre este assunto. Outra questão diz respeito ao programa que será aplicado pelo PCN(M), caso este venha a formar governo.

 

LUTA POPULAR (Maio/Junho de 2008), Orgão Central do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP)

         

publicado por SINDICATO VERMELHO às 16:30
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